não funciona se for assim, não funciona se for na brisa. não adianta marcar às doze e trinta no saguão do hotel numa espécie de reunião formal de colarinho branco.
tem que ser bruto, abrupto. tem que funcionar ligeiro, num quadrante semelhante. tem que ser numa catarse daquelas que se põe os dois punhos na boca e se quebra a mandíbula e se explode a jugular em vidros de potes de ouro.
tem que encher o pulso a ponto de quebrar o rolex. tem que fazer o turbante dar volta e meia e não meia volta.
tem que deixar a alma toda marcada, tem que amassar a lata de refrigerante e fazer a película antioxidante trincar. tem que fazer o resto do mundo todo se levantar e dizer chega e te puxar pelos cabelos e te mandar calar.
te cala que não to aguentando mais.
tem que tomar conta de você de uma forma que pareça possuído. vai te possuir e te mandar jogar na cara. foi o que o filme de ontem e o de antes de ontem e o da semana passada ensinaram, que você tem que esperar o desespero chegar e te ajudar a atravessar a rua sem data marcada, só pra dizer a ela que você ta louco por ela e que ela não se case com comunhão de bens, porque o coração e todo o emaranhado de fios na cabeça dela têm que ser seus.
mas são doze e trinta e cinco e você ta no saguão do hotel, e é assim mesmo que você vai dizer pra ela. cadê a sua cara suja? logo hoje você resolveu limpar. ela não vai ligar pro que você vai dizer, porque você vai estar vivo e nenhum pouco rachado ou bêbado enquanto disser e não vai haver amor nenhum no teu ar porque, quem se apaixona por sóbrios que sabem o que querem? faz um carinho no rosto dela e deixa isso pra outro dia quando tiver fedendo a sangue e suor e vendendo a alma pra falar isso pra ela. aí sim vai ter a importância que deve.
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