Virou comum ver a garrafa verde meia vazia de água natural no criado-mudo ao lado da cama. Tanto quanto tudo naquele quarto virou comum. O cheiro do casaco preto novo me lembra você. Nada mudou desde o verão de 2007. Até os calendários padronizam-se com a regra do "Dane-se os dias, os horários e os céticos, faço do jeito que mando e que quero". A porta se fechou e o drama dormiu do lado de fora. Pura arrogância.
Tudo virou rotina e me apaixonei por ela. "Ora, deixe o vento correr". Mas o que?! Sou dono do meu destino e da minha fé. Visto minhas próprias meias. Olho para o meu próprio céu. Se nada ocorrer bem, a culpa foi minha. Se tudo der certo, foi graças à Deus.
E de novo a madrugada virou, me fazendo partir em busca da inquietude e da certeza de um amanhã incerto. A garrafa verde ainda continua lá, no mesmo criado-mudo, no mesmo quarto que não muda. Aprender que não se pode crescer onde nos sentimos salvos é ter certeza que está certo.
Júlia Aleixo B.
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