Vidros embaçados e corações quebrados. Uma xícara de café fumegante que foi preparado às cinco da tarde. Um moletom rasgado, a febre aparente e as meias afogadas no puro aconchego. Falar me faz soltar o ego na escrita. Caro ego, pra que apelas tanto se ao cair da noite és só tu contigo mesmo? Somo egoístas. Somos passistas e pacientes. Parasitas da própria vontade. O café das cinco esquenta a alma de quem um dia pertenceu a si próprio. Eu não. Eu apenas bebi mais um gole e deixei a cidade ainda com a alma perdida e o galope do passado atrás de mim. A saudade é inquietante; doce e amarga. Lembra-me de não esquecer que um dia me pertenci e a todos aqueles braços de abraços de amigos do peito. Que pedras sejam jogadas naqueles que nunca se perderam.
Resolvi amar de alma para que, assim como a própria, esse tal de amor se esvaísse. Foi como se o café esfriasse mais rápido que eu. Mas ainda sinto o fervilhar na boca.
Ainda dou-me ao luxo de inventar palavras. Permito-me ser poeta. Assim como você, não procuro um novo mundo, procuro minhas lentes de brilhantismo que a pouco perdi no quintal. Deve estar pela areia. Infame.
A TV não consegue mais ficar no mudo. Até ela consegue expressão e eu não. Defeito? De fábrica. O café acabou, e se pouco há, é muito para fazer. Não se desvie no engano do controle avulso. Sinta medo e prazer. Se perca. Volte.
Júlia Aleixo B. Dedicado ao meu desconhecido mais conhecido, Adriano Camargo.
Júlia Aleixo B. Dedicado ao meu desconhecido mais conhecido, Adriano Camargo.
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