terça-feira, fevereiro 26, 2013

Ousei.

       Nada no mundo me deixaria mais feliz neste momento do que uma caneca de achocolatado. Sim, um achocolatado bem doce, daqueles que passam como uma pasta no céu da boca. Uma pasta suculenta e cremosa.
        Mas não havia achocolatado no centro da cidade em uma matinê de quarta-feira. Quando o vi chegar, George parecia aflito. Eu estava sentando em um daqueles trailers que vendem uns sanduíches mais do que suspeitos, mas que são mais gostosos que qualquer fast-food de sucesso. Ele se aproximou e disse para sairmos dali imediatamente. Eu não sabia o que fazer, por que ele estava daquele jeito?
         George era tão calmo, tão sereno, até em seu jeito mais nervoso era gentil. Quando finalmente entramos no carro, ele saiu em disparada. Perguntei-o para onde estávamos indo, e ele respondeu: "A lugar algum, Charlie."
       Ele parou em um lugar com árvores e terra. A civilização ainda nos rodeava. Sua expressão estava tão séria e seu olhar tão atento ao nada.
          - Preciso me casar com você.
          - Bem... Isso foi um pedido?
          - Não. Mas eu preciso.
          - Então nos casamos.
          - Amanhã?
          - Amanhã.