Não consigo entrar num relacionamento, qualquer que seja ele, sem me doar cem por cento. Começo a admirar aquela pessoa e passo a administrar boa parte do meu tempo para conhece-la. Não consigo começar pela metade, pelo tanto-faz-que-você-está-entrando-na-minha-vida. Me entrego até a solidificação da estrutura do relacionamento, depois sigo o curso normal do "entregar-se". E sabe, tô ficando cada vez mais sozinho.
quarta-feira, janeiro 25, 2012
terça-feira, janeiro 24, 2012
Carta à Margaret, minha tão linda Maggie.
É interessante como o tempo afasta as pessoas como o vento afasta os grãos de areia. Tudo o que você precisa saber sobre mim você sabe, Maggie, eu nem precisei contar. Você veio e com um assopro derrubou toda a muralha que demorei anos para erguer. Foi bem interessante o modo como você parou e me observou. Me analisou, me fitou, me percebeu, me entendeu, me compreendeu por completo. Margaret, é nessa comum e mórbida manhã cinza de Surrey que te digo que todas as músicas pareceram desafinar desde que comecei a escrever esta carta. O rádio tá ligado como sempre, só que as músicas não fluem, as notícias não parecem mais tão alertantes ou amedrontadoras. Deve ser porque, assim como o ambiente influencia nas nossas emoções, nossas emoções influenciam no ambiente. Você precisa crescer, Maggie, e não é ao meu lado que você vai conseguir isso. Sempre tive esse meu jeito outono de ser: meio morno, aparece todo ano em meios aos extremos, e que apesar de ter uma beleza inovadora dentro de mium, guardo pros olhos mais audaciosos; Que nem os seus, Maggie. Daí vem você, a primavera de ser, com esse teu charme febril e delicado, cheiroso e apaixonante apaixonado. Que delícia, Maggie! Somos épocas do ano tão diferentes, mas mesmo assim você conseguiu me alcançar. Como toda primavera, é necessário que você flua veementemente pelos infinitos cantos do mundo.
Você vai estudar, sair desta cidade esquecida e ganhar o mundo. Ganhar o mundo resume aquela tão desejada, porém até bem alcançável, vida: apartamento perto de avenidas, café às seis, faculdades, ensinos, amigos que moram perto o suficiente para uma carona e quem sabe até um novo amor. Quem sabe não, você vai encontrar sim. E espero que eu também. Mas quero que saiba, Maggie, que não vou deixar de te amar. Você despertou em mim a flor mais linda que se pode habitar o coração de alguém. Agora você precisa mostrar sua voz de criança e sabedoria de mulher ao mundo. Eu sempre soube, desde nossos passeios de bicicleta aos sete anos, que se alguém teria o destino bem longe dessa cidade com um lugar declarado numa vida mansa e agitada com seus conformes seria você.
Eu te amo, Maggie, Minha pequena Maggie, grande Margaret.
Aqui se despede um homem que te amou com todo o coração.
segunda-feira, janeiro 23, 2012
Senso de interpretação.
Cartas que não pretendem possuir destinatário. Sabe, destinatário de vida, de assunto algum para se conter. Foi um furacão que levou isso tudo embora. O barco tá furado, ninguém sabe onde. Ao mesmo tempo que a água entra, ela se esvai; não pelo curso natural, mas algo a puxa para o esquecimento e talvez afunde o barco, mas ninguém percebe. Estes tripulantes estão mesmo se afogando em algo passivo de barulho e visibilidade. Mas desde que não se veja, não haverá catástrofe. Espero que entendam meu recado quando que todo rio precisa de um desague, pois senão haverá apenas umas represa. Mórbida e comum.
Carta ao súbito
Tô rodeada de gente
gente estranha
gente sem pele e sem toque
Cadê aqueles?
Aqueles que me viram direito
que pararam pra observar minha calma
Perdi
perdi-os
me perderam.
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